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O ato de ler

 

O ato de ler

Por Marcos dos Santos de Bem

 

Introdução

Nada se move, exceto meus olhos e a mão que vira ocasionalmente a página, e, contudo, algo não exatamente definido pela palavra texto desdobra-se, progride, cresce e deita raízes enquanto leio(Manguel, 2004, p. 42).”

 

O texto que passo a desenvolver tem por objetivo expor considerações sobre o que é ler e qual o valor e o impacto da leitura na experiência humana. Nessa perspectiva a leitura aparece interferindo diretamente no processo de evolução intelectual do homem.

A leitura das palavras, dos textos, dos livros possibilita o acesso à cultura e a aquisição de experiências que, por sua vez, permitem ao leitor uma constante releitura de si mesmo e do mundo (realidade). Essa releitura, alicerçada no valor e impacto da leitura, fornece ao homem a incomparável conquista de evoluir em direção a excelência da expressão – ser humano  um ser intelectual.

Nesse prisma, vemos claramente presente naqueles que escolhem trilhar pelos ricos caminhos da leitura, a surpreendente ampliação da capacidade de interferir na realidade, de desenvolver senso critico, de compreender e exercitar melhor a cidadania e, ainda, escrever melhor, falar esmeradamente e até mesmo interagir com sabedoria e desenvoltura em suas relações sociais, profissionais e afetivas.   

São esses valores, decisivos e preponderantes, contidos no DNA do termo “ler” que me estimulam e impulsionam a despertar a motivação de todos quantos eu puder alcançar, para que também eles alcancem outros.  Para ter sucesso em meu intento de descortinar e lançar luz nesse tema tão importante me apoio, daqui em diante, em um time de “Gigantes” da educação, entre eles, Alberto Menguel, Esméria Saveli e Paulo freire.

 

O que é ler

 Faremos, daqui em diante, uma reflexão, no intuito de que você não leitor ou leitor não assíduo seja estimulado à ação de refletir e, por fim, desenvolver sua própria consideração sobre o que seja “ler”, e, consequentemente, compreender o significado, o valor e o impacto que o ato de ler pode produzir em sua vida.

Se na sua concepção o resultado se apresentar de acordo com o que aqui está proposto, sinto que uma verdadeira mudança haverá em seu interior, gerando força suficiente para transformá-lo em um apaixonado pela leitura, o que inevitavelmente mudará todo o seu modo de interpretar e interferir na realidade. Vamos iniciar então tomando por base a afirmação da Dra. Esméria Saveli.

 

“Ler é uma operação intelectual que ultrapassa o ato mecânico de identificar o escrito. É uma atividade "eminentemente polimorfa" em que o olhar do leitor sobre as palavras é, antes de qualquer coisa, o pensamento em movimento”(Saveli, 2003).

 

A partir desta afirmação é possível começar a refletir sobre o que seja o ato de ler. A expressão “Ler é uma operação intelectual...” nos remete, necessariamente, a começar a argumentação expondo informações sobre a constituição intelectual do ser humano, pois serão essas informações que nos fornecerão a condição de desdobrar o significado da expressão acima citada e de seus seguimentos.

 

Intelecto

O termo intelecto foi constantemente usado pelos filósofos com dois sentidos: 1) genérico, como faculdade de pensar em geral e 2) especifico, como uma atividade ou técnica particular de pensar. Com este segundo significado, esse termo é entendido de três maneiras diferentes: a) como intelecto intuitivo; b) como intelecto operante; c) como entendimento, inteligência ou intelecção.

Sentido genérico

Platão e Aristóteles definem em geral o intelecto como faculdade de pensar. Platão de fato dá o nome de intelecto à atividade que pensa (Sof., 248e-249a) e, portanto, confere limites, ordem e medida às coisas (Fil., 30c; Tim., 48a);. Por sua vez, Aristóteles declara entender por intelecto "aquilo graças a que a alma raciocina e compreende" (Dean., III, 4,429a 23).
Esse significado genérico foi conservado na tradição filosófica até o Romantismo. Tomás de Aquino expressava-o contrapondo o intelecto aos sentidos: "O substantivo intelecto implica certo conhecimento íntimo; intelligere é como 'ler dentro' (intus legere). Isso é evidente a quem considera a diferença entre o intelecto e os sentidos: o conhecimento sensível concerne às qualidades sensíveis externas; o conhecimento intelectivo penetra até a essência da coisa" (S. Th., II, 2, q. 8, a. 1).(...)

Sentido específico

 O reconhecimento do significado genérico de intelecto pode ocorrer ou não em conjunto com o reconhecimento de um significado específico. Podem ser distinguidas três interpretações fundamentais da função específica do intelecto: à) intuitiva; b) operante c) de entendimento ou inteligência.

a) A noção de intelecto intuitivo foi elaborada por Aristóteles. Para ele, além de ser geralmente a faculdade "graças à qual a alma raciocina e compreende", o intelecto é também uma virtude dianoética, ou seja, um hábito racional específico. Como tal, é a faculdade de intuir os princípios das demonstrações, que não podem ser apreendidos pela ciência — que é apenas um hábito demonstrativo — nem pela arte e pela sabedoria, que dizem respeito "às coisas que podem ser de outra forma", desprovidas de necessidade (Et. Nic, VI, 6, 1140b 31 ss.). Além dessas "definições primeiras", o intelecto também tem a tarefa de intuir "os termos últimos", ou seja, os fins aos quais deve subordinar-se a ação (Ibid., VI, 11, 1143b). Ao lado da ciência, o intelecto constitui a sabedoria, "que é ao mesmo tempo ciência e intuição das coisas mais excelsas por natureza" (Ibid., VI, 7, 1151b 2), e por isso a mais alta realização do homem. (...)

c) No terceiro significado específico de intelecto, ele significa entendimento, sendo mais apropriadas, além de "entendimento", as palavras inteligência e intelecção (em italiano, intelligenza; em francês, entendement; em alemão, Verstehen). Essa acepção do termo, por sua vez, pode ser articulada:

 Um significado comum e genérico, em que "entender" significa apreender o significado de um símbolo, a força de um argumento, o valor de uma ação, etc. Em todos estes casos, a palavra exprime a possibilidade de efetuar corretamente determinada operação. P. ex., o entendimento de um argumento consiste na possibilidade de interligar suas partes de tal forma que o argumento se torne probante, etc. Nestes casos, há tanta diversidade entre os vários significados de entendimento quanto entre os objetos e as situações às quais se faz referência. Em geral, tudo o que pode ser dito desse ponto é que o entendimento designa certa capacidade de inserir-se no contexto de tais situações e de orientar-se nele. (...)

 

 Sob a perspectiva das importantes definições acima citadas e que representam o pensamento de diferentes linhas filosóficas, já temos boas informações para alicerçar a argumentação que iniciamos a partir da expressão: ”ler é uma operação intelectual” (...). Encadeando esta expressão e seu seguimento com as afirmativas filosóficas para “intelecto” (pensar, raciocinar, compreender, aprender, conhecer no intimo, ler dentro) eu digo que:

 

Ler é uma ação originada na capacidade de pensar, raciocinar, compreender e aprender.É ato excelente da inteligência em absorver saberes expressos de diversas formas. É penetrar na essência das coisas. É libertar o imaginário.

 

Se podemos (e realmente podemos) enxergar o significado de ler em tão relevante conjectura até aqui apresentada, podemos ir mais além e elevar “o ato de ler” ao titulo que de direito a ele pertence: O nobre e transformador caminho de evolução do ser pensante.

Que magnífico, que esplendido, que inspirador pensar no que representa tal realidade tão presente e disponível a nossa geração qual nenhuma outra em toda a história da humanidade pode ter. Digo a respeito de poder desde aprender a ler até acessar a maior produção de escritos já vista nas diversas áreas da experiência humana. E o que isso significa? Significa que temos material em grande quantidade para realizar o que declara Silva (1992),ler é não só uma ponte para a tomada de consciência, mas um modo de existir no qual o indivíduo compreende e interpreta a expressão registrada pela escrita e passa a compreender-se no mundo.

“Desta forma, só podemos atribuir importância e relevância às práticas de leitura quando o leitor é levado à condição de sujeito, trabalhando ativamente com seus pares na busca de compreensão de diferentes aspectos da realidade através dos textos”(Freire, 1994).

 

Porque ler

Sinto que se estivesse escrevendo a públicos de países ricos (desenvolvidos) como França e Suécia, não faria sentido algum produzir este tópico, visto que neles o índice de Leitura é alto, varias vezes maior do que no Brasil. Na França é de 11 por habitante/ano, na Suécia chega a excelente marca de 15. É claro que as populações desses países vivem com uma excelente qualidade de vida, e usufruem dos frutos de grandes e contínuos investimentos na educação. Isso faz grande diferença.

Pode parecer contraproducente revelar esses dados como introdução a este tópico em que o nosso objetivo é demonstrar a importância do ato de ler a um Brasil que, mesmo sendo a 6ª economia do mundo, tem a maior parcela de sua população constituída de pessoas totalmente desprovidas de qualidade de vida – pobres. Mas na verdade não é contraproducente, pois nenhuma nação tem seus cidadãos verdadeiramente ricos, como os das acima citadas, até descobrir o valor da educação. Assim, toda nação que tem ótimos índices de desenvolvimento nas áreas em que é aclamada, está fundamentalmente alicerçada na educação que apresenta a leitura como importante instrumento de aquisição de conhecimento e evolução da sociedade. Ora, se os exemplos de sucesso no enriquecimento (desenvolvimento) de uma nação passam pela via do saber, sendo um de seus vieses a importância da leitura, então posso dizer com segurança que se cada um de nós der o devido valor à ação de “ler”, tornar-nos-emos também agentes transformadores de nossa nação.

Tendo isso em mente passe a se aventurar por essa maravilhosa e produtiva experiência de “ler para ser”, você não vai se arrepender. Liberte seu imaginário, aguce seu intelecto; promova-se ao mundo dos saberes, ao Himalaia do conhecimento; a descoberta e redescoberta de você mesmo; a interferência e modificação da realidade; ao exercício consciente de sua cidadania; ao melhoramento de sua humanidade. Tudo isso e muito mais pela inigualável atividade de “ler“.    

 

O que ler

Para as pessoas que já tem o habito e o prazer da leitura, “o que ler” é estabelecido pela prioridade e oportunidade, ou seja, para elas, algumas leituras são especificas (cotidiana, profissional, acadêmica, etc.) e, portanto, feitas regularmente e outras estão ligadas a momentos livres e recreativos em que, por exemplo, um livro recebido de presente pode começar a ser lido. O fato é que elas lêem de tudo! Outras pessoas, no entanto mesmo reconhecendo que ler é bom não conseguem estabelecer o que devam ler, talvez pelo fato de não construir finalidades, o que gera duvida, desanimo, desistência e eliminação da chance de construção do habito e prazer da leitura.

Um caminho possível para resolver a questão pode ser o que eu chamo de "autoexame direcionado para o desenvolvimento pessoal", em que se faz um levantamento das necessidades e ambições; desejos e prazeres e associa-os a seguinte indagação:

No que o ato de ler pode me beneficiar nessas questões?

Exemplos com respostas:

1)     Necessidade. Se em seu trabalho você recepciona, desfaz dúvida e direciona o tempo todo pessoas com diferentes interesses e necessidades, mas sente muita dificuldade em se expressar corretamente não conseguindo encontrar a palavra apropriada para o que está tentando explicar e não assimila certos termos verbalizados por algumas das pessoas que te interpelam, então, – ler jornais, revistas, artigos  grifando as palavras que não conhece e conferindo no dicionário, pode eliminar sua carência e te despertar o habito de ler!

2)     Ambição. Você quer muito passar em um concurso publico, a carreira em questão pode trazer uma extraordinária estabilidade e qualidade de vida que beneficiara toda sua família. É a chance da sua vida. Você conhece 80 % do conteúdo programático, que tem peso 1, por isso pode se sair bem; contudo, os 20% restantes serão avaliados na redação argumentativa, com peso duas vezes maior que os iniciais 80%, e detalhe, de caráter eliminatório – e em redação você é péssimo. O que fazer? Um bom caminho pode ser ler bastante sobre redação e seus mecanismos e escrever muito, mas saiba que para construir um bom texto é fundamental a habilidade de organização textual, por meio de métodos apropriados, os quais conferem a relação ideal entre os termos do texto. Como neste exemplo fiz referencia a redação argumentativa torna-se importante dizer que o texto argumentativo é aquele que evidencia o ponto de vista de quem o escreve. Assim sendo, torna-se obrigatório que o autor apresente seus argumentos, fornecendo dados, mostrando exemplos, outras opiniões. Tudo de maneira coerente e coesa.

3)      Desejo e prazer. Existe uma pessoa, que de um momento para outro se tornou importantíssima para você, mas ela não te conhece. Você precisa de uma excelente estratégia, a fim de causar boa impressão quando se apresentar a ela. Já te informaram que a poesia é a sua grande paixão, porem você não gosta de ler nem e-mail quem dirá poesia. I agora?! Calma. Faça uma pesquisa sobre os poetas brasileiros mais lidos. Selecione algumas poesias deles e as leia. Separe aquela que melhor se encaixe em suas pretensões e passe a lê-la marcando todos os termos que não conheça. Busque o significado de cada um desses termos e aprenda-os. Lembre-se que algo muito valioso para você está em jogo. Ao reler a poesia escolhida, conhecendo a significação de todos os termos nela contidos, você estará pronto para surpreender ao se apresentar, pois ainda que não consiga recitá-la, saberá interpretar as nuanças contidas na poesia.       

As estratégias acima apresentados não são formulas mágicas, e sim passos indiretos, mas viáveis, que podem culminar na motivação e definição do que ler, e possivelmente na criação do habito e do prazer da leitura.

 

Como ler

A interação com o que se está lendo é sempre uma atitude benéfica do ponto de vista da aquisição de saberes. Essa interação é denotada por Freire (1994) como adentramento nos textos, com disciplina intelectual, da qual possivelmente faça parte o que ele chama de análise demorada dos textos. É a ação de penetrar no que se está lendo, refletir e tirar o máximo de proveito de cada palavra, frase e parágrafo; vasculhar os termos expressos pelo autor, para descobrir sua intenção e usufruir de seu conhecimento, formando assim boa base para sua própria concepção. É também a oportunidade para o intelecto libertar o imaginário e construir conhecimentos nunca antes pensados. Isso fica bem retratado nas palavras de mnguel (2004, p.42, 53,54):

Tal como meu nebuloso ancestral sumério lendo as duas pequenas placas naquela tarde inconcebivelmente remota, eu também estou lendo, aqui na minha sala, através de séculos e mares. Sentado à minha escrivaninha, cotovelos sobre a página, queixo nas mãos, abstraído por um momento da mudança da luz lá fora e dos sons que se elevam da rua, estou vendo, ouvindo, seguindo (mas essas palavras não fazem justiça ao que está acontecendo dentro de mim) uma história, uma descrição, um argumento.

Sentado diante do meu livro, [...] percebo não apenas as letras e os espaços em branco entre as palavras que compõem o texto. Para extrair uma mensagem desse sistema de sinais brancos e pretos, apreendo primeiro o sistema de uma maneira aparentemente errática com os olhos volúveis, e depois reconstruo o código de sinais mediante uma ca­deia conectiva de neurônios processadores em meu cérebro, cadeia que varia de acordo com a natureza do texto que estou lendo e impregna o texto com algo - emoção, sensibilidade física, intuição, conhecimento, alma - que depende de quem sou eu e de como me tornei o que sou.

 

Considerações finais

Esta produção não é somente a defesa de um pressuposto sobre o valor do ato de ler, mas antes de tudo, é o meu testemunho, o resultado da minha própria vivencia e experiência, alcançadas devido a minha inquietação e desejo de descobrir até onde o meu potencial intelectual pode chegar. Foi assim que passei a experimentar os sabores e saberes que a leitura proporciona. O ponto inicial deste meu despertamento foi sem duvida o interesse pelos escritos bíblicos, através dos quais me apaixonei pela vida, e pela leitura, e pela – literatura – especialmente a que me aprimora a vida e me estimula a busca do melhoramento enquanto ser pensante. Eu amo ler. Ler é ser...

 

Referencias

FREIRE, P.A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 29. ed. São Paulo: Cortez, 1994.

MANGUEL, A. Uma história de leitura. São Paulo: Companhia da Letras, 1997.

MARTINS, M.H. O que é leitura. 11. ed. São Paulo: Brasiliense, 1989.

SILVA, E. T. da. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia da leitura. 6. ed. São Paulo: Cortez, 1992.

SAVELI, E. de L.. Leitura na escola: as representações e práticas de professores. Curitiba: Fortun & Granchelli, 2003.

 Site Hyper Filosofia.  Intelecto.Disponível em: http://www.filoinfo.bem-vindo.net 

Acesso em: 05 mar. 2012.

 


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